A Viagem – Parte III

Horas antes.

Fernando abriu os olhos. Percebeu que estava de cabeça para baixo e preso ao cinto de segurança. Sua mente começou a reorganizar as ideias e ele percebeu o que estava havendo.

Tinham sofrido um acidente. O carro capotou ribanceira a baixo até parar em uma árvore de tronco grosso que havia no caminho. Tentou mover a cabeça em busca dos amigos, mas uma dor aguda em seu pescoço não permitiu uma sondagem perfeita do local. Conseguia ver Bruno, que estava ao seu lado. O rapaz sangrava pela boca e nariz. Estava desmaiado.

Quando Fernando tentou chamar pelos outros dois que estavam no banco de trás, sentiu o gosto de sangue em sua boca. As palavras saíram como um sussurro. Ele percebeu que estava sozinho. Sozinho e preso nas ferragens, sangrando. A garoa que caía antes do acidente começou a transformar-se em chuva forte, enquanto a visão de Fernando ficava turva e ele desmaiava. Sabia que tanto ele quanto seus amigos não tinham muito tempo de vida, a não ser que um milagre acontecesse.  Continue reading »

A Viagem – Parte II

Santos 3 x 1 Corinthians, não era o futebol na tela do Globo, e sim mais uma das partidas que Rafael e seu irmão Rodrigo disputavam no vídeo game. Jogar era o hobby dos garotos naquelas noites que não se tem mais nada pra fazer. Era noite de namorar, mas Rodrigo se via impedido de sair de casa, pois tinha moto e naquela noite a chuva caía agressivamente. Ele detestava chuva e, para piorar, agora estava tomando uma goleada do irmão, e isso o deixava mais nervoso ainda.

Estavam no segundo tempo da partida, e ambos sabiam que quem perdesse teria que buscar cerveja na geladeira, como forma de castigo. Rafael caçoava do irmão, era muito difícil vencê-lo, principalmente quando jogava com o Corinthians, por isso aproveitava aquele momento de glória. Se não podia estar viajando com seus amigos, pelo menos estava vencendo seu grande rival. Continue reading »

A Viagem – Parte I

Obs.: Antes de começar, gostaria de deixar claro que a autoria deste conto é de Rafael Alves (http://www.facebook.com/rafael.alves001?fref=ts) e que estou publicando em nome dele. Aproveitem a leitura!

Era sua primeira viagem apenas com os amigos, viajavam para uma praia, no Rio de Janeiro. Era noite de sexta feira, estrada vazia, caía uma chuva fina e com muita neblina.

Fernando estava empolgado, gostava de estar com aquelas pessoas, pois Willian, Thiago, Bruno e Rafael eram amigos que conhecera em seu primeiro emprego e que até hoje mantinham uma fiel e sólida amizade. Continue reading »

Olhar e Vigiar – parte 2 de 2

Olhar e Vigiar (continuação)

Para a primeira parte do conto clique aqui: parte 1

Houve um garoto que perseguia meu filho, que o humilhava, o machucava. Meu Lucas era apenas uma criança, ele não estava preparado para aquilo, ele não podia se defender sozinho, coube a mim fazer algo que fosse necessário, então eu usei as habilidades que adquiri depois da morte sobre o outro garoto, e as utilizei com certa freqüência e por um período relativamente longo. A mente do garoto não resistiu, ela se quebrou, ninguém acreditava quando ele contava o que estava acontecendo e, por fim, ele enlouqueceu. Já faz bastante tempo isso, mas eu ainda o visito no hospital psiquiátrico, apenas para ter certeza de que ele não voltará a maltratar meu pequeno Lucas. O inconveniente de ir a um manicômio ou um hospital é que há outros como você lá, na verdade há muitos outros, e se encontrar e conversar com outros mortos, na maioria das vezes, não é nada agradável. Continue reading »

Diário de Samuel Vohuman, 20/2/2002

Diário de Samuel Vohuman

20 de Fevereiro de 2002:

 “Nomes pouco dizem, a não ser aquilo que eu quero mostrar. O que eu sou? Eu sou o Oitavo Filho. Quem eu sou? Vocês podem me chamar de muitos nomes. Pois de Azazel roubei o nome, e na forma de um bode o usei para ouvir os pecados do homem. Pois antes de Hades assim se chamar, eu mesmo Hades era, e manipulava deuses e deusas de acordo com minha vontade. Também os romanos e os cristãos sussurravam ‘Rex Mundi’, o senhor deste mundo, pois sabiam que minha vontade não devia ser contestada, e que meu real nome deveria ser temido. Pela Idade das Trevas, Næbyrus, Senhor do Profano, fui chamado, e sussurrava nos ouvidos de reis e lordes. Também Mamon foi minha alcunha, e me chamavam de Mestre da Usura, pois pela ganância os homens a mim encontravam, e a mim se entregavam. Nu, eu comparecia aos Sabás com o nome de Leonardo, e, a minhas feiticeiras, milhares temiam. Para muitos, eu sou Nebiros, mas nesta terra, me chamam Íblis Al-Qadim, e é por este nome que mais me temerão”. Continue reading »